{"id":129,"date":"2008-03-08T15:26:52","date_gmt":"2008-03-08T18:26:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brasilpassoapasso.com.br\/blog\/?p=123"},"modified":"2008-03-08T15:26:52","modified_gmt":"2008-03-08T18:26:52","slug":"ilha-grande-natureza-selvagem-bem-preservada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/brasilpassoapasso.com.br\/?p=129","title":{"rendered":"Ilha Grande: natureza selvagem bem preservada!"},"content":{"rendered":"<p>Pouca gente pode imaginar que entre o Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, os dois maiores centros urbanos do Brasil, podemos encontrar um lugar t\u00e3o belo e selvagem como a Ilha Grande.<br \/>\nOs \u00edndios tamoios, seus primeiros habitantes, a chamavam de \u201cIpaum &#8211; gua\u00e7u\u201d. Com 193 km2, 155 km de litoral e 106 praias este santu\u00e1rio ecol\u00f3gico composto por Mata Atl\u00e2ntica, manguezais, praias, rios com regatos, lagoas, restingas al\u00e9m de alguns picos rochosos foi transformado em APA (\u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental).<br \/>\nUm dos fatores que mais contribu\u00edram para o isolamento da Ilha Grande e por sua vez por seus mist\u00e9rios e preserva\u00e7\u00e3o foi a dist\u00e2ncia do litoral. S\u00e3o 12 milhas da costa de Angra dos Reis, sua liga\u00e7\u00e3o mais freq\u00fcente com o continente.<br \/>\nA ilha, que um dia fez parte do complexo da Serra do Mar, j\u00e1 foi ligada ao continente. Um processo de transgress\u00e3o (subida) do Oceano Atl\u00e2ntico \u201cafogou\u201d grande parte da regi\u00e3o e o que \u00e9 hoje a Ilha Grande ficou isolada. O interior da ilha, que \u00e9 montanhoso, \u00e9 composto por alguns picos rochosos tais como o da Pedra D\u2019\u00e1gua (1030m), do Papagaio (990m), e do Ferreira (740m). Estes picos, que podem ser alcan\u00e7ados por trilhas em meio \u00e0 Mata Atl\u00e2ntica s\u00e3o excelentes pontos para termos uma vista panor\u00e2mica da ilha.<br \/>\nTanta natureza a ser preservada fez com que a totalidade do territ\u00f3rio da Ilha Grande (193 km2) se tornasse uma APA. Al\u00e9m da APA que cobre toda a ilha, tamb\u00e9m um Parque Estadual e uma Reserva Biol\u00f3gica foram criados para dar sustenta\u00e7\u00e3o a projetos de preserva\u00e7\u00e3o dos ricos ecossistemas ali existentes.<br \/>\nReservas biol\u00f3gicas s\u00e3o \u00e1reas de tamanhos vari\u00e1veis, que se caracterizam por conter ecossistemas ou comunidades fr\u00e1geis de import\u00e2ncia biol\u00f3gica, em terra de dom\u00ednio p\u00fablico e fechadas a visita\u00e7\u00e3o p\u00fablica podendo ser declaradas pela Uni\u00e3o ou pelos Estados.<br \/>\nA RBEPS (Reserva Biol\u00f3gica Estadual da Praia do Sul) criada em 02 de dezembro de 1981 esta localizada na parte sudoeste da ilha e compreende uma \u00e1rea de 3600 ha., quase \u00bc da \u00e1rea total da ilha.<br \/>\nA RBEPS \u00e9 coberta em quase sua totalidade pela Mata Atl\u00e2ntica, rica em esp\u00e9cies e uma das mais amea\u00e7adas do pa\u00eds, n\u00e3o restando mais do que 10% de sua \u00e1rea original no estado do Rio de Janeiro.<br \/>\nA grande diversidade de flora e fauna \u00e9 devida \u00e0 diversidade de ambientes gerados pela mesma Mata Atl\u00e2ntica e seus ecossistemas associados, que no caso da RBEPS s\u00e3o: lagoas, manguezais, restinga e cost\u00f5es rochosos.<br \/>\nAs duas lagoas existentes na reserva recebem tanto \u00e1guas dos rios que descem da montanha como tamb\u00e9m do mar na mar\u00e9 cheia. Dos rios provem a lama que formara o solo indispens\u00e1vel \u00e0 exist\u00eancia de vegeta\u00e7\u00e3o que circunda as duas lagoas locais (Lagoa do Leste e do Sul), o mangue. Estas lagoas, circundadas pela vegeta\u00e7\u00e3o de mangue formam verdadeiros ber\u00e7\u00e1rios para a vida marinha, contribuindo assim para a piscosidade tanto das lagoas como do mar.<br \/>\nA vegeta\u00e7\u00e3o de restinga, que ocupa a plan\u00edcie arenosa, com uma \u00e1rea de aproximadamente 800 ha., apresenta v\u00e1rios tipos de forma\u00e7\u00f5es vegetais, desde ambientes mais \u00famidos onde crescem arvores de at\u00e9 20 m at\u00e9 ambientes mais secos como a vegeta\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima \u00e0s praias que s\u00e3o constantemente atingidas pelos ventos que sopram do mar deformando-as.<br \/>\nNa RBEPS encontramos uma raridade digna de ser mencionada e cultuada como exemplo. \u00c9 o Rio Capivari, talvez o \u00fanico do Estado do Rio de Janeiro que apresente, desde sua nascente at\u00e9 sua foz, \u00e1guas completamente livres da atividade humana e, por conseguinte de qualquer esp\u00e9cie de polui\u00e7\u00e3o. O Rio Capivari, que nasce nas partes mais altas e inacess\u00edveis da Ilha Grande corre por entre encosta coberta de Mata Atl\u00e2ntica formando regatos de rara beleza.<br \/>\nPara al\u00e9m da beleza (est\u00e9tica) que emana de todos os ecossistemas da RBEPS, sua preserva\u00e7\u00e3o representa a garantia de potencial gen\u00e9tico para a reconstitui\u00e7\u00e3o de flora e fauna de outras \u00e1reas litor\u00e2neas amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o momento, foram identificadas cerca de 500 esp\u00e9cies vegetais, algumas delas at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas pela ci\u00eancia!<br \/>\nA sede da RBEPS constru\u00edda em 1986 com apoio do WWF localiza-se na praia do Aventureiro e a sua administra\u00e7\u00e3o fica a cargo da FEEMA (Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Engenharia do Meio Ambiente). Ali, h\u00e1 um pequeno vilarejo, a Vila do Aventureiro, habitado por pescadores que vivem da pesca artesanal e da lavoura de subsist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Projeto MAQUA: mam\u00edferos aqu\u00e1ticos<\/strong><\/p>\n<p>O projeto Mam\u00edferos Aqu\u00e1ticos (MAQUA) desde 1992 vem realizando atividade de pesquisa e conserva\u00e7\u00e3o de Cet\u00e1ceos (botos, golfinhos e baleias) no litoral do estado do Rio de Janeiro. As atividades consistem na observa\u00e7\u00e3o dos mam\u00edferos marinhos em ambiente natural, estudo em laborat\u00f3rios e em trabalhos de educa\u00e7\u00e3o ambiental com comunidades costeiras. Os estudos, inicialmente desenvolvidos na Baia de Guanabara e Regi\u00e3o dos Lagos foram estendidos a Ilha Grande.<br \/>\nO Projeto MAQUA iniciou seus trabalhos na Ilha Grande em 1993 e em 1995 foi instalada a Sede Avan\u00e7ada do Projeto MAQUA na Ilha Grande. Objetivo do projeto \u00e9 determinar as esp\u00e9cies de cet\u00e1ceos que ocorrem na regi\u00e3o, bem como a intera\u00e7\u00e3o destes com a popula\u00e7\u00e3o local.<br \/>\nO trabalho de pesquisa \u00e9 acompanhado por um Programa de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental cuja meta \u00e9 a conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o dos cet\u00e1ceos bem como dos ecossistemas costeiros.<\/p>\n<p><strong>Ilha Grande \u2013 Trekking<\/strong><\/p>\n<p>Tanto a circula\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos como a pr\u00e1tica do camping selvagem \u00e9 proibida na Ilha Grande. Mas apesar das proibi\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o compreens\u00edveis se o intuito \u00e9 o de preservar a natureza, a ilha nos oferece uma vantagem. Ela \u00e9 muito bem servida de trilhas (algumas s\u00e3o verdadeiras \u201cestradas\u201d em meio da Mata Atl\u00e2ntica) e \u00e9 poss\u00edvel contorn\u00e1-la em apenas quatro dias.<br \/>\nA parte leste at\u00e9 a praia de Lopes Mendes, saindo bem cedo, pode ser feita em um dia. Partindo da Vila do Abra\u00e3o sobe-se um morro e na descida j\u00e1 encontramos a Praia Grande das Palmas e a do Mangues, todas de \u00e1guas bem calmas. Cruzando novamente o morro e l\u00e1 esta a praia de Lopes Mendes, preferida dos surfistas. O ideal \u00e9, para quem n\u00e3o tem uma pousada garantida na Praia de Dois Rios (onde ficava o Presidio agora demolido), voltar para a Vila do Abra\u00e3o, pernoitar e sair no dia seguinte bem cedo.<br \/>\nPor uma antiga estrada de terra, bastante avariada, chega-se em duas horas, por entre morros, \u00e0 praia de Dois Rios. Dali segue-se ainda por entre morros, em meio \u00e0 Mata Atl\u00e2ntica at\u00e9 Parnaioca, e dali toma-se f\u00f4lego por que s\u00e3o mais 6 km por dentro da RBEPS (quatro deles pelas areias das Praias do Leste e do Sul) at\u00e9 a Vila do Aventureiro. Ali h\u00e1 possibilidade de se conseguir um abrigo e prosseguir por entre morros at\u00e9 Provet\u00e1, uma vila habitada em sua grande maioria por uma comunidade religiosa.<br \/>\nReponha as energias e novamente por entre morros chega-se \u00e0 praia de Ara\u00e7atiba. Agora, que atingimos as \u00e1guas mais calmas da Ilha Grande (parte noroeste) h\u00e1 a possibilidade de pegar um barco com os pescadores e ir at\u00e9 a Freguesia de Santana, onde foi edificada a primeira vila da ilha e ainda resta a Igreja (1796).<br \/>\nPara os mais dispostos, mais uma caminhada por entre morros, praias de \u00e1guas mansas e esverdeadas, como Saco do C\u00e9u, por exemplo, at\u00e9 a chegada na Vila do Abra\u00e3o.<br \/>\nAten\u00e7\u00e3o! Toda a Ilha Grande pode ser contornada por trilhas muito bem conservadas. Mas, a empreitada exige f\u00f4lego e como h\u00e1 necessidade de pernoitar em meio o caminho jamais, em hip\u00f3tese alguma, fa\u00e7a a expedi\u00e7\u00e3o sozinho. Consulte um nativo, um guia local, que sua caminhada vai ser bem mais segura e proveitosa!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pouca gente pode imaginar que entre o Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, os dois maiores centros urbanos do Brasil, podemos encontrar um lugar t\u00e3o belo e selvagem como a Ilha Grande. Os \u00edndios tamoios, seus primeiros habitantes, a chamavam de \u201cIpaum &#8211; gua\u00e7u\u201d. 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