{"id":147,"date":"2008-04-20T16:44:41","date_gmt":"2008-04-20T19:44:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brasilpassoapasso.com.br\/blog\/?p=142"},"modified":"2008-04-20T16:44:41","modified_gmt":"2008-04-20T19:44:41","slug":"trekking-na-guarda-do-embau","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/brasilpassoapasso.com.br\/?p=147","title":{"rendered":"Trekking na Guarda do Emba\u00fa"},"content":{"rendered":"<p><img src=\"http:\/\/www.brasilpassoapasso.com.br\/images\/images_blog\/embau001.jpg\" title=\"Guarda do Emba\u00fa\" alt=\"Guarda do Emba\u00fa\" \/><\/p>\n<p>Depois de uma estada em Garopaba e nas belas praias da regi\u00e3o era o momento de conhecer a t\u00e3o falada Guarda do Emba\u00fa. A caminhada em dire\u00e7\u00e3o ao norte, em princ\u00edpio, foi bem tranq\u00fcila at\u00e9 nos defrontarmos com um obst\u00e1culo intranspon\u00edvel. Era a Ponta da Gamboa, um morro de dimens\u00f5es consider\u00e1veis que penetrava mar adentro impedindo a passagem. Logo entendemos que a moleza havia acabado e ent\u00e3o sa\u00edmos da praia em busca de informa\u00e7\u00f5es sobre trilhas que nos levassem ao outro lado, na praia da Gamboa propriamente. Nossa experi\u00eancia dizia que sempre que h\u00e1 um obst\u00e1culo os pescadores nativos fazem trilhas por dentro para o melhor acesso. Sendo assim n\u00e3o nos importamos tanto em pedir informa\u00e7\u00f5es e seguimos em frente, ou melhor, morro acima, naquela que achamos ser a melhor trilha. \u00c0 medida que sub\u00edamos a paisagem se tornava cada vez mais deslumbrante. Era m\u00eas de maio, o chamado \u201cveranico de maio\u201d de Santa Catarina e o sol ainda estava bem forte brilhando no c\u00e9u azul. V\u00e1rias vezes paramos para contemplar aquele mar estupendo como tamb\u00e9m a prometida Guarda do Emba\u00fa, n\u00e3o muito longe dali. Em certos momentos as trilhas terminavam em matagais que com certeza n\u00e3o eram o caminho ideal para atravessar a Gamboa. Numa destas sa\u00eddas nos deparamos com um pasto imenso onde o gado ao que tudo indica n\u00e3o via gente h\u00e1 muito tempo. Sem alternativas tivemos de atravess\u00e1-lo em meio aos bois que nos seguiram de perto, cheirando aqueles seres extraterrestres que levavam nas costas mochilas de cores espalhafatosas (laranja e lil\u00e1s). Com os bois nos nossos calcanhares segu\u00edamos cada vez mais r\u00e1pido at\u00e9 que a travessia tornou-se uma verdadeira corrida \u2013 nossa e dos bois! Tivemos de entrar novamente no matagal, agora sem os bois, para logo descobrirmos que est\u00e1vamos, apesar do belo visual da Guarda, perdidos. N\u00e3o houve alternativa se n\u00e3o refazer todo o caminho de volta at\u00e9 a base do morro para a\u00ed ent\u00e3o, humildemente, pedir informa\u00e7\u00f5es a um nativo. Perdemos quase tr\u00eas horas nesta travessia mal sucedida, mas valeu pelo visual diferenciado e pela companhia de nossos amigos bois. Transposta a Gamboa tivemos de fazer ainda 6 km de areia grossa at\u00e9 a Guarda do Emba\u00fa. A vila tem uma localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e para alcan\u00e7\u00e1-la temos de atravessar o rio da Madre. Bacamarte, um nativo da regi\u00e3o foi quem nos atravessou numa pequena canoa e acabou por virar o nossa guia. Muito t\u00edmido, s\u00f3 aos poucos foi se abrindo e mostrando as belezas do lugar. Primeiro fizemos uma incurs\u00e3o pelo rio da Madre, de \u00e1guas cor de mel, mas l\u00edmpidas. Na foz, na margem norte, a proximidade com o Morro do Urubu e a vegeta\u00e7\u00e3o de mata atl\u00e2ntica faz do visual um dos cart\u00f5es postais da Guarda. Bacamarte, acostumado a ser guia de turistas n\u00e3o muito bem preparados fisicamente nos prop\u00f4s meio c\u00e9ptico de subir o Morro do Urubu, onde ele dizia haver o melhor visual da regi\u00e3o. Como o dia estava muito bonito e n\u00e3o quer\u00edamos arriscar uma chuva no dia seguinte topamos. Apesar de j\u00e1 termos feito o Morro da Gamboa est\u00e1vamos ainda plenos de adrenalina e demos in\u00edcio \u00e0 empreitada. Bacamarte ia \u00e0 frente, a passos largos. Mesmo com as mochilas nas costas n\u00e3o fraquejamos e \u00e0 medida que sub\u00edamos o visual ficava cada vez mais chocante. Agora, l\u00e1 do alto, era o morro da Gamboa que nos v\u00edamos. Sempre andando pela mata atl\u00e2ntica v\u00edamos entre as brechas que o visual era estupendo at\u00e9 que chegamos ao topo. Todo o esfor\u00e7o f\u00edsico foi compensado por aquela paisagem paradis\u00edaca. Era uma tarde morna, n\u00e3o ventava, e o canto dos p\u00e1ssaros podia ser ouvido com mais nitidez. Ficamos ali por um bom tempo contemplando o p\u00f4r do sol. Finalmente Bacamarte quebrou o sil\u00eancio e comentou que t\u00ednhamos um bom preparo f\u00edsico, disposi\u00e7\u00e3o. Foi ent\u00e3o que explicamos a ele que v\u00ednhamos do Chu\u00ed, a p\u00e9, e que naquele mesmo dia j\u00e1 hav\u00edamos feito a Gamboa. Ele sorriu, mansamente, achando que est\u00e1vamos brincando com ele, que n\u00e3o era verdade. J\u00e1 escurecia quando descemos e ent\u00e3o na vila mostramos revistas e jornais que falavam do nosso projeto de conhecer todo o litoral do Brasil a p\u00e9. Meio maravilhado, Bacamarte ent\u00e3o apresentou-nos a parentes e amigos, na sua maioria jovens surfistas que freq\u00fcentam a Guarda. Fomos dormir bastante cansados, mas satisfeitos com aquele dia t\u00e3o intenso. No dia seguinte, acordamos com um forte vento sul que trouxe a chuva e o frio. Sentados junto de nossos amigos surfistas, agasalhados e tomando um chocolate quente, curt\u00edamos aquele frio, pois sab\u00edamos o quanto hav\u00edamos ganhado no dia anterior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de uma estada em Garopaba e nas belas praias da regi\u00e3o era o momento de conhecer a t\u00e3o falada Guarda do Emba\u00fa. A caminhada em dire\u00e7\u00e3o ao norte, em princ\u00edpio, foi bem tranq\u00fcila at\u00e9 nos defrontarmos com um obst\u00e1culo intranspon\u00edvel. 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